Cresce em 11% o atendimento de jovens vítimas de acidentes de trânsito no Hospital Metropolitano

O levantamento realizado pela unidade aponta que a maioria das vítimas são possuem entre 15 e 29 anos. Mesmo com a pandemia, os acidentes de trânsito continuaram entre os principais atendimentos

Números da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) confirmam que os condutores jovens têm até dez vezes mais probabilidade de se envolver em acidentes que os adultos. De acordo com a organização, aproximadamente 400 mil jovens morrem a cada ano no trânsito em todo mundo.

No estado do Pará, região norte do Brasil, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, realizou um levantamento que aponta um crescimento de 11% no ano passado, no número de atendimentos de jovens entre 15 a 29 anos.

O HMUE é uma unidade do Governo do Pará, gerenciado pela Pró-Saúde desde 2012. O hospital é especializado em casos de trauma de média e alta complexidades com atendimento 100% gratuito por meio do SUS (Sistema Único de Saúde).

Segundo os dados do hospital, em 2019 foram admitidos 1.622 jovens vítimas de acidentes de trânsito. Já em 2020, mesmo durante o período da pandemia, o Metropolitano registrou 1.802 atendimentos de pacientes na mesma faixa etária.

Uma dessas vítimas foi o Giovanni Souza, de 24 anos, que recorda dos momentos que passou ao lado do amigo. “No dia do acidente, estava com meu amigo na moto, mas ele morreu na hora. As pessoas precisam obedecer às leis de trânsito e andar sem pressa”, lembrou emocionado.

Velocidade e imprudência são algumas causas de ocorrências

José Guataçara, médico e coordenador do Pronto Atendimento do Hospital Metropolitano, afirma que esta é uma realidade que acontece pela aceitação de risco no trânsito e na vida.

“Os jovens costumam se colocar mais em situações de risco. Saem para festas, baladas, e acabam se envolvendo em situações onde dirigem sob efeito de álcool. Por isso os acidentes acabam ocorrendo nessa faixa etária com maior consequência”, explica.

O médico acrescenta que a velocidade é outro fator que influencia nesses dados. “Os jovens aproveitam a sensação de liberdade proporcionada pela velocidade e a falsa sensação de confiança, de que nunca vai acontecer nada. Mas os dados estão aí para mostrar ao contrário”, disse.

Outros fatores para acidentes envolvendo jovens:

• Uso do celular para enviar mensagens por aplicativo;
• Uso de celular para atender ligações;
• Velocidade;
• Condução sob influência de álcool e outras substâncias;
• Deixar de usar o cinto de segurança;
• Falta do uso de capacetes para motociclistas;
• Direção distraída;
• Veículos inseguros.

Orientações para um trânsito melhor

Para tentar evitar que mais pessoas sejam vítimas de acidente de trânsito, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência realiza durante todo o ano, diversas ações em relação aos riscos da direção perigosa.

Um desses projetos é o “Quero Andar de Moto Até Morrer e Não Morrer Andando de Moto”, que tem como foco a conscientização dos efeitos da imprudência no trânsito, além da redução de custos, com otimização da assistência.

O “Direção Viva” tem a finalidade de sensibilizar os condutores que trafegavam na Rodovia BR-316. As ações já atingiram milhares de pessoas e visam contribuir com a diminuição no número de acidentes de trânsito na Região Metropolitana de Belém (RMB) e cidades interioranas.

“As campanhas, tanto de palestras educativas nas escolas quanto panfletagem, na rodovia BR-316, são apenas algumas das muitas iniciativas que buscam conscientizar as pessoas quanto a segurança no trânsito”, destacou a diretora Hospitalar do Metropolitano, Alba Muniz.