Responsável por 90% das captações no Pará, Hospital Metropolitano alcança mais de mil transplantes entre órgãos e córneas

Na Semana Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, prestou uma homenagem aos doadores e, principalmente, as famílias responsáveis pelas ações solidárias.

O Metropolitano, unidade do Governo do Pará, sob contrato de gestão com a Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, é responsável por 90% das captações no Estado. Nos últimos quatro anos, foram realizadas no Hospital 112 captações de rins, fígado, coração (válvulas cardíacas) e córneas.

Em números absolutos, as doações proporcionaram, ao todo, o transplante de 448 órgãos e 628 córneas. Apenas em 2018, por exemplo, 43 usuários foram diagnosticados com morte encefálica. Desse total, 41 foram validados como potenciais doadores de órgãos e tecidos, cujas famílias foram entrevistadas para solicitação de captação. Mais da metade (56%) não consentiu.

A coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), Fátima Albuquerque, abriu a solenidade, realizada nesta quarta-feira (25), em alusão também ao Setembro Verde, que estimula a conscientização sobre o ato de doar. “Estamos celebrando o amor, cada doador é sempre o amor de alguém: um filho, um cônjuge, um pai, uma mãe. E é nesse sentimento que as famílias decidiram que a vida não precisava terminar ali e poderia continuar em outras pessoas”, enalteceu Fátima.

De acordo com a médica Ana Beltrão, responsável técnica da Central Estadual de Transplantes do Pará (CET-PA), o Metropolitano tem um papel importante no contexto de doação por mais de 10% das vítimas de trauma crânio encefálico evoluírem para morte encefálica. “É um processo complexo pela necessidade de pessoal capacitado para realizar o contato com as famílias desde o início da suspeita. Aqui no HMUE temos um terreno muito favorável pelo perfil de doadores decorrentes de acidentes de trânsito”, analisou Ana.

A Lei 9.434 de 1997 dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo para transplante e tratamento. Ela determina que a captação só pode ocorrer após exames de triagem de infecção, conforme normas do Ministério da Saúde. Estabelece também que a constatação de morte encefálica deve ser registrada por médicos não participantes da retirada e do transplante, mediante critérios definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina.

A doação só é possível com autorização do cônjuge ou parente, maior de idade, obedecida a linha sucessória, reta ou colateral, até o segundo grau. Esse fator também é um desafio, pois é necessário consenso familiar e, no momento de dor, há discordâncias quanto ao tema e a vontade do possível doador em vida.

Para a coordenadora do CIHDOTT, ainda existem barreiras sociais que impedem outras de vidas de serem salvas. A própria incompreensão sobre a morte encefálica no início do luto é um dos fatores, pois os familiares entendem que a vida só acaba quando o coração para de bater. “É um momento muito delicado, pois há um conflito entre a alegria de quem vai receber a doação e a tristeza de quem perde um ente querido. Em nossa experiência, para as famílias doadoras, com o tempo o ato se torna um conforto e se torna uma continuidade da vida”, explicou.

A supervisora de Humanização, Natália Failache, destacou as ações desenvolvidas ao longo do mês de setembro, para estimular a reflexão sobre a a doação. “Todas as noites, as luzes verdes na fachada da unidade são acesas, além disso estamos visitando instituições levando a experiência do Metropolitano para fora da Unidade. E na programação ainda teremos rodas de conversa e encenação do Teatro Humaniza, do hospital, sobre o tema”, concluiu.

Sobre o HMUE

Referência no tratamento de média e alta complexidades em traumas e queimados para a região Norte pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), localizado em

Ananindeua (PA), dispõe de 198 leitos operacionais nas especialidades de traumatologia, cirurgia geral, neurocirurgia, clínica médica, pediatria, cirurgia plástica exclusivo para pacientes vítimas de queimaduras, além de leitos de UTI.

O HMUE recebe pacientes da Região Metropolitana de Belém, dos diferentes municípios do Pará e também de outros estados. Em 2018, realizou mais de meio milhão de atendimentos, entre internações, cirurgias, exames laboratoriais e por imagem, atendimentos multiprofissionais e consultas ambulatoriais.

Sobre a Pró-Saúde

A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica que realiza a gestão de serviços de saúde e administração hospitalar há mais de 50 anos. Seu trabalho de inteligência visa a promoção da qualidade, humanização e sustentabilidade.

Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 23 cidades de 11 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativa, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.