Workshop do Metropolitano aborda cuidado paliativo e finitude da vida

Quem opta por trabalhar na área da saúde sempre tem em mente que deve salvar vidas. Falar sobre a morte e os impactos desse processo nem sempre são experiências confortáveis para os profissionais do setor. O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) trouxe a discussão sobre o tema para seus colaboradores assistenciais durante o ”Workshop sobre Cuidados Paliativos para Pacientes Vítimas de Trauma”.

A atividade faz parte da programação da ”II Semana Multiprofissional” e ”XI Semana de Enfermagem” da unidade, que acontece até o próximo dia 14/6. Durante mais de quatro horas, os profissionais puderam conversar sobre temas como a finitude da vida, cuidados paliativos no trauma, além dos aspectos éticos que cercam o tema. Em uma mesa redonda os trabalhadores trocaram experiências sobre a comunicação de más notícias e o tipo de cuidado a ser destinado aos cuidadores.

A conferência da responsável pelo setor de Psicologia do Hospital Ophir Loyola, Rivonilda Graim, tratou da finitude da vida. A profissional trouxe um pouco da experiência na unidade que cuida de pacientes oncológicos em cuidados paliativos e lembrou que o primordial no processo é a qualificação da equipe. “A pessoa tem que trabalhar com amor e ver o outro de forma humanizada. Tentar se colocar no lugar do outro é essencial”, adicionou.

A médica geriatra do Centro Hospitalar Jean Bitar, Laiane Moraes, diz que a abordagem dos cuidados paliativos tem grande importância em uma unidade de trauma como o HMUE. “Em urgência e emergência recebemos com muita frequência pacientes que trazem consigo uma carga grande de sofrimento. Seja por dor, por ruptura abrupta do seu modo de vida”, explicou.

Laiane também destacou a necessidade de equipes multidisciplinares integradas para promover o cuidado de diversos sintomas. “Precisamos de equipes integradas pois estes pacientes com muita frequência têm sintomas não só físicos, mas também psíquicos. Têm o estresse de ter sua capacidade de trabalho limitada e o prejuízo social. Isso traz sofrimento. A gente precisa de assistente social, terapeuta ocupacional e outros profissionais. Não há como fazer esse tipo de cuidado sem equipe interdisciplinar”, pontuou.

Os aspectos éticos dos cuidados paliativos foram tema da conferência do médico e advogado Adilon Koury. O profissional fez uma fala voltada ao aspecto prático do cuidado paliativo e da proteção profissional sob ponto de vista da lei. Koury enfatizou a importância de uma unidade com o perfil do Metropolitano, unidade gerenciada pela Pró-Saúde sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), promover uma atividade com esta temática. “Um workshop destes em um hospital que faz tratamento de pacientes graves é importante para que a equipe possa se posicionar e trabalhe com tranquilidade”, disse.

A última conferência do dia reuniu os profissionais para debater o tema “Comunicação de más notícias e como cuidar do cuidador”. Foi a hora de trocar experiências pessoais sobre como os profissionais costumam lidar com a morte e comunicar às famílias a perda de seus entes.

A enfermeira Oziele Silva relatou o caso pessoal envolvendo a morte do pai. “Meu pai faleceu em casa, tendo seus últimos desejos atendidos. Foi algo que me marcou muito. Foi meu lado enfermeira, de preparar o corpo e meu lado de filha. Um lado me tornava forte e outro era emotivo, afetivo, falava muito alto. Foi um turbilhão de sentimentos que tive de administrar, mas pude resolver tudo dentro de mim”, relatou.

Com a experiência, a colaboradora diz que passou a encarar a morte como um processo que tem perdas e, também, ganhos. “O processo de morte, a finitude da vida, também traz experiências e vivências positivas dentro de uma família. A vida não termina com a morte. É um ciclo que se fecha para que outros se iniciem”, afirmou.

A também enfermeira e integrante da Comissão de Feridas da unidade, Juliana Pantoja, diz que apesar de a morte ser uma tema recorrente na rotina dos profissionais de saúde, tocar no assunto ainda é delicado. “A gente convive com isso todos os dias, porém ninguém quer tratar dessa temática. Fica varrido para baixo para baixo do tapete. É que fica na gente enquanto profissionais como se fosse uma incapacidade e não é. Faz parte de um ciclo”, acrescentou.

Organizadoras do workshop, a diretora Assistencial do HMUE, Ivanete Prestes Roberti, e a supervisora da Reabilitação, Gabriela Martins, destacaram a oportunidade de trabalhar um tema que não é comum para o público atendido no Metropolitano. “O nosso paciente é jovem, não pede para se acidentar e muitas vezes chega aqui de repente. Trabalhar isso em um paciente adulto que se privou de uma condição social e econômica para estar internado aqui não é fácil”, disse Gabriela.

A diretora diz que para que os colaboradores possam oferecer bons cuidados paliativos precisam primeiramente entender o tema. “Precisamos entender o processo de morrer para que consigamos trabalhar isso na instituição. Nosso objetivo é a discussão do tema entre a equipe multiprofissional para desenvolvermos um protocolo direcionador dentro do hospital”, adiantou.