Pesquisas científicas ajudam no mapeamento do perfil dos pacientes atendidos no Metropolitano

As pesquisas científicas desenvolvidas pelos integrantes do programa de Residência Multiprofissional do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (PA), têm permitido que a unidade tenha mais informações sobre os resultados dos procedimentos clínicos em pacientes com queimaduras. Os trabalhos permitem ainda que a unidade trace o perfil do público infantil atendido no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).

Várias pesquisas já foram realizadas. Os residentes e preceptores de Fisioterapia produziram um trabalho sobre os efeitos, na força muscular respiratória, promovidos pela ventilação não invasiva em queimaduras de tórax. Outra pesquisa caracterizou o perfil das crianças atendidas no CTQ. O residente Anderson Moraes fala da importância das produções e reconhece o trabalho desenvolvido no HMUE. “É uma maneira de divulgar o nosso trabalho para outros profissionais, para que eles possam reproduzir o procedimento com seus pacientes ou mesmo aprimorá-los. Mostramos, também, o que as profissões da área da saúde têm a oferecer ao usuário,” diz.

Com tantas produções, muitos trabalhos já foram apresentados em eventos científicos. O residente de Terapia Ocupacional, Lucas da Silva Muniz, foi um dos que tiveram oportunidade de representar o Hospital Metropolitano. A participação no ‘‘I Congresso de Atenção Multidisciplinar da Saúde’’, promovido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), em abril, foi a primeira experiência científica de Lucas.

O trabalho do grupo liderado por ele analisou a atuação do Terapeuta Ocupacional com pacientes vítimas de traumatismo cranioencefálico. “É o nosso retorno para a sociedade do trabalho importantíssimo realizado dentro do Hospital Metropolitano. O fato de sermos residentes de uma especialização custeada pelo Ministério da Saúde torna este momento importante. É importante dar o retorno sobre o que estamos produzindo e fazendo aqui dentro”, aponta.

Além do retorno à comunidade, o residente ressalta a singularidade dos pacientes tratados no HMUE. “Algumas vezes o paciente que está conosco veio do interior e talvez a única reabilitação a qual ele terá acesso é a que é disponibilizada aqui no Metropolitano”, diz. “Por isso é importante levar estes temas da terapia ocupacional e demais especialidades a um congresso para divulgar a todos o que estamos fazendo aqui”, acrescenta o jovem.

A multidisciplinaridade também é ressaltada pelos residentes. É o caso da residente de Fonoaudiologia, Kamilla Franco, que participou de trabalho em conjunto com a Terapia Ocupacional. “Se temos o mesmo objetivo, por que não juntar as nossas especialidades profissionais em benefício do paciente?”, questiona.

Kamilla mostrou como a Fonoterapia ajuda na melhora do paciente na unidade hospitalar. “O trabalho de Fonoaudiologia foi o relato de caso de paciente que teve traumatismo cranioencefálico e paralisia facial. Estava com complicações para alimentar-se, fazendo o uso de sonda. Nós reabilitamos este paciente para que ele voltasse a comer pela boca. Também foi reabilitado pela via oral e voltou a falar”, explicou.

Hospital escola

O coordenador do Departamento de Ensino e Pesquisa (DEP) da unidade, Leonardo Ramos Nicolau, destaca o número de trabalhos apresentados em congressos. “Conseguimos levar trabalhos em várias categorias para os eventos científicos. Isso mostra a ação em conjunto da residência multiprofissional. Mostra o trabalho conjunto dos preceptores e residentes do hospital”, ressalta.

O coordenador enfatiza que um das missões da residência multiprofissional do HMUE é publicar trabalhos científicos. “Tivemos a notícia que um trabalho nosso foi aceito em uma revista científica de Minas Gerais. A residência além de ser o ensino em serviço, tem a finalidade do trabalho científico, seja ele aplicado em eventos ou em publicação em revistas indexadas”, reflete.

Ao logo de 2017, mais trabalhos devem ser publicados pelos residentes. “Com isso, a residência amadurece. Temos mais trabalhos sendo realizados aqui. É a nossa contrapartida ao hospital. Fazemos pesquisa e divulgamos o Metropolitano como uma referência científica nacional”, comemora.

Os trabalhos apresentados pelos residentes são fruto das atividades desenvolvidas no grupo científico comandado pela fisioterapeuta e preceptora, Rafaela Macedo, e pela supervisora da Reabilitação, Gabriela Lima.

O grupo reúne residentes e preceptores desde 2013 para atuar na produção científica dentro do DEP. “Tentamos incentivar os residentes a produzirem e mostrar a evidencia do nosso trabalho. Muitas vezes lidamos com casos singulares e precisamos divulgar a conduta tomada em determinada situação. É uma prestação de contas à sociedade e a nossa categoria profissional”, reflete Gabriela.

A fisioterapeuta Rafaela Macedo conta que o grupo atualmente trabalha em três projetos. Um deles é ação conjunta entre a Fisioterapia e a Fonoaudiologia sobre a utilização de eletroestimulação em pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “O objetivo é verificar se com a estimulação os pacientes evoluem mais rápido para o desmame ventilatório. Vai ajudar na questão da respiração e da eletroestimulação da região da cervical, trabalhada pela Fonoaudiologia. Isso ajuda na deglutição e alimentação”, explica.

O grupo trabalha ainda em um projeto sobre teste de respiração espontânea e na monografia de residentes que abordarão o estresse oxidativo no paciente da UTI. “São três trabalhos que serão desenvolvidos dentro da UTI ao longo de 2017”, adiantou.

Formação profissional

O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência atua no campo de ensino e pesquisa desde 2012. O programa de Residência Multiprofissional foi o primeiro a ser disponibilizado na unidade.

São seis vagas anuais nas especialidades de Fisioterapia, Enfermagem, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia e Psicologia. A unidade iniciou a residência nas áreas de Cirurgia Geral, Ortopedia e Traumatologia, Cirurgia do Trauma e Medicina de Urgência em 2014.

O HMUE é uma unidade pública pertencente ao Governo do Pará e gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).