Jovens condutores recebem orientações do Hospital Metropolitano sobre trânsito seguro

O Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua (PA), apresentou o programa “Direção Viva” aos estudantes do curso de Terapia Ocupacional da Universidade da Amazônia (Unama), em uma palestra comandada pelo diretor-geral da unidade, Rogério Kuntz, e pelo coordenador do setor de Pronto Atendimento da unidade, José Guataçara, nesta quarta-feira, 24/5. A atividade faz parte das ações do ‘Maio Amarelo’, um movimento que chama a atenção para os altos índices de acidentes de trânsito no país.

A fala dos representantes da unidade teve foco no acidente com motocicleta. O diretor-geral ressaltou as perdas que um acidente de trânsito costuma trazer. Kuntz destacou não só o fator humano e a forma como o acidente muda a vida de dezenas de famílias, como também o impacto dos episódios na economia do Brasil. “No País inteiro, os acidentes de trânsito equivalem a 3% do Produto Interno Bruto (PIB) ou cerca de R$ 188 bilhões em pensões, seguros, danos materiais. Imagina a perda que é para o acidentado e para o país”, apontou.

O gestor da unidade – gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, sob contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) – apontou também maus hábitos ao pilotar motocicletas como causadores de acidentes, tais como a imprudência, uso de álcool e drogas ilícitas, desrespeito às leis de trânsito e, claro, o excesso de velocidade. “A palavra hoje sobre acidente de moto é a prevenção. Tenha cuidado, cuidado e cuidado”, aconselhou.

O médico José Guataçara destacou dois tipos de comportamentos de risco em sua fala. O do condutor que utiliza o telefone celular enquanto pilota a motocicleta e o do que dirige sob efeito de bebida alcoólica. Segundo o profissional, o álcool afeta de forma perigosa o cérebro do condutor, impactando nos reflexos e na visão. “Com o álcool as nossas referências ficam modificadas”, disse.

Guataçara chamou a atenção também para um item imprescindível para quem possui motocicleta: o uso de equipamentos de proteção individual. Capacetes, cotoveleiras, joelheiras, protetor torácico, botas e luvas fazem parte do kit recomendado pelo médico. No caso do capacete a explicação vem da física: “Na hora do acidente, se a pessoa estiver de capacete, a energia cinética – relacionada ao estado de movimento de um corpo – não vai agir e escapamos de um traumatismo de crânio”, exemplifica.

Estudante do terceiro semestre de Terapia Ocupacional, Samuel Lima é proprietário de uma motocicleta. O jovem, que já sofreu dois acidentes, reconhece o perigo ao qual está exposto ao pilotar o veículo. “Em 70% dos acidentes de moto, a causa é a imprudência do motoqueiro, mas há também os outros motoristas imprudentes. Em um dos acidentes que sofri, o taxista fez uma ultrapassagem irregular e bateu na traseira da minha moto. No outro, a moça estava falando ao celular”, contou.

Nas duas situações, o jovem sofreu escoriações leves. Apesar disso, Samuel não pretende mudar de meio de transporte. “Acho perigoso, mas a moto facilita minha vida para vir à universidade”, adicionou. O universitário aprovou a iniciativa do programa “Direção Viva” de promover educação para jovens condutores. “A palestra foi muito interessante por buscar conscientizar a nós, motoqueiros, para termos mais atenção e respeito conosco e com o próximo”, disse.

A coordenadora do curso de Terapia Ocupacional da Unama, Sabrina Queiroz, destacou a participação do Hospital Metropolitano nas atividades do Maio Amarelo da universidade. “Esperamos que os números mostrados aqui não aumentem, que nossos alunos não visitem o Hospital Metropolitano e consigam transmitir todas as orientações que tiveram para seus familiares e amigos”, finalizou a educadora.

Sobre o “Direção Viva”

O programa “Direção Viva” conscientiza a comunidade sobre as sequelas oriundas de traumas por acidente de trânsito. A ação é realizada de maneira contínua e envolve profissionais de diversas especialidades, propiciando a discussão do tema sob ângulos distintos. “Acreditamos que, para nossa população ter qualidade de vida, é preciso compreender os riscos a que nos submetemos diariamente. E isso ocorre quando fazemos educação em saúde. Por isso, implantamos o ‘Direção Viva’ nas unidades e, assim, trabalhamos a prevenção em saúde, por meio da educação e disseminação de informação. Queremos reduzir o número de sequelas causadas pelos acidentes de trânsito, e isso só será possível se reduzirmos esses eventos”, revelou o diretor Operacional da Pró-Saúde no Pará, Paulo Czrnhak.

As ações do programa são desenvolvidas nos hospitais públicos gerenciados pela Pró-Saúde no Pará. As quatro unidades recebem 90% das vítimas de trauma de média e alta complexidades no Estado. Entre os anos de 2014 e 2016, foram realizados mais de 35 mil atendimentos a pacientes vítimas de acidentes de trânsito no Hospital Metropolitano, no Hospital Regional Público da Transamazônica (HRPT), em Altamira, no Hospital Regional do Sudeste do Pará, em Marabá, e no Hospital Público Estadual Galileu, em Belém.