Colaboradores do Hospital Metropolitano debatem saúde pública no Pará

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A prevenção ao acidente de trânsito, sobretudo, envolvendo motos, vai gerar um impacto favorável na área de saúde do Estado do Pará. Além disso, a conscientização tende a reduzir drasticamente os gastos, desafogando a rede assistencial e possibilitando que recursos sejam alocados em outras áreas. Esta foi a conclusão de um trabalho que debateu a estrutura da rede assistencial e o cuidado do ser humano com trauma ortopédico resultante de acidente de moto. O artigo, desenvolvido por um grupo de oito profissionais, sendo que quatro são colaboradores do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), foi a conclusão de um curso em Gestão de Emergência em Saúde Pública, promovido pelo Ministério da Saúde, Hospital Sírio-Libânes e Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa).

O diretor Geral do Hospital Metropolitano, Rogério Kuntz, além da diretora Assistencial, Ivanete Prestes, o gerente de Enfermagem, Diego Pes, e o coordenador Departamento de Ensino e Pesquisa da unidade, Leonardo Ramos, concluíram o curso. Os outros profissionais são da rede de saúde, englobando representantes da Sespa, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e Cruz Vermelha Brasileira.

Para Rogério Kuntz, a formação de gestores vai beneficiar as questões relativas a emergência em saúde pública na Região Metropolitana de Belém. Kuntz comentou que é viável atuar na área da prevenção para diminuir um perfil considerável.

Aproximadamente 50% do volume de atendimentos do Hospital Metropolitano são de vítimas de acidentes de moto. “Entendemos a questão principal da factibilidade: o que é factível para nós, enquanto gestores, executar. O que entendemos foi, basicamente, a questão da prevenção”. O administrador hospitalar afirmou que o foco é a conscientização dos condutores e dos futuros condutores de moto. “Com ações focadas, principalmente, em escolas, empresas e comunidades em geral. É o trabalho extramuros, tentando reduzir os acidentes de moto, o número de pacientes com este perfil, diminuindo os custos do estado e disponibilizando estes recursos para situações prementes”, avaliou.

Em média, um paciente vítima de acidente de moto gera custo de internação na ordem de R$ 7,2 mil. Segundo Rogério Kuntz, considerando os últimos três anos, o impacto nas contas públicas foi significativo. “De acordo com os nossos estudos, nós levantamos, só no Hospital Metropolitano, um impacto de cerca de R$ 80 milhões aos cofres públicos no tratamento destinado a vítima de acidentes de moto”. Só em 2016, até o mês de setembro, mais de dois mil atendimentos foram realizados pelo Hospital Metropolitano a acidentados com moto. Em 2015, este dado foi superior a três mil.
Para Diego Pes, que gerencia uma área de atendimento de urgência e emergência, é salutar ampliar estratégias para amenizar o problema de saúde pública. “Nós atuamos de forma a salvar vidas, minimizando todos os riscos possíveis. Mas, este tipo de acidente vem acometendo uma grande parte da população. Precisamos de um trabalho, a longo prazo, para abranger outras gerações, capacitando com enfoque imediato os profissionais que trabalham se deslocando com motocicleta. Mas, também incluindo em disciplinas do colégio matérias sobre prevenção de acidentes”.

Já Leonardo Ramos, por sua vez, alertou para o problema socioeconômico gerado a partir da internação de um acidentado de trânsito. Além da assistência, é necessária a intervenção de fisioterapeutas para reabilitar a vítima, que se afasta da população economicamente ativa da sociedade. Sobre o curso, Ramos afirmou que o diálogo entre vários agentes de saúde pública produziu um trabalho vasto. “A metodologia agrega várias instituições dentro do mesmo do curso, possibilitando que saíssemos da realidade do hospital para encontrar outras instituições, voltadas a rede de saúde da Região Metropolitano. O nosso grupo foi chamado de diversidade”, disse.

O diretor operacional da Pró-Saúde no Pará, Paulo Czrnhak, participou da apresentação do trabalho, nesta quinta-feira, 10/11, na Escola de Enfermagem da Universidade do Estado do Pará. Para ele, a urgência e emergência atua em prol de salvar vidas, mas requer, a compreensão para o lado do humano. ‘Quero parabenizar os concluintes do curso e reafirmar que, além da assistência, trabalhem a humanização com os pacientes’, comentou.