Isolamento social: Home office e atividades domésticas sem as adaptações necessárias continuam gerando problemas de saúde, alerta especialista

Para evitar a contaminação e a proliferação do novo coronavírus (Covid-19), muitas pessoas passaram a ficar mais tempo em casa e, com isso, desenvolver diversas tarefas que antes, eram realizadas fora, como fazer exercícios e até mesmo trabalhar.

Conhecido popularmente como “home office”, que na tradução livre para o para o português significa “escritório em casa”, a prática consiste em o profissional passa a usar a estrutura da própria residência para realizar suas tarefas de trabalho, como se estivesse alocado na empresa. Mas, segundo especialistas, na maioria das vezes, esse tipo formato não favorece a saúde e o bem-estar do trabalhador.

De acordo com Elizabeth Moreira, terapeuta ocupacional do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), gerenciado pela Pró-Saúde em Ananindeua, os sintomas mais comuns para quem realiza essas atividades domésticas ou trabalham em home office são: dores nas mãos, no pescoço, nas costas, perda de sono, fadiga ocular e dores na cabeça.

“Em casa, o profissional acaba assumindo posturas inadequadas devido ao computador e equipamentos em posições impróprias. Há também as cadeiras sem encostos para as costas e braços, além do excesso de trabalho e movimentos repetitivos. Tudo isso acaba prejudicando a saúde”, esclarece Elizabeth.

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da Fundação Getulio Vargas (FGVSaúde) aponta que as dores nas mãos acometem 65% dos profissionais que trabalham remotamente, seguido das dores no pescoço (58%), fadiga ocular e perda de sono (55%), além das dores de cabeça (53%).

A pesquisa entrevistou 533 pessoas, entre os meses de agosto e setembro de 2020. A maioria dos participantes eram mulheres, que representam 67,9% dos questionados, com idade média de 40 anos.

Sandra Monteiro é auxiliar de gestão de recursos humanos (RH) de uma empresa de informática, em Belém, e precisou trabalhar em casa. “Comecei os meus trabalhos em casa e após um mês, comecei a notar que apareceu um caroço no meu pulso direito. Fiquei muito preocupada e procurei um profissional”, lembra.

Projeto “Terapia das Mãos”

Atento a esta questão, o Hospital Metropolitano, que pertence ao governo do Estado e presta atendimento 100% gratuito no Sistema Único de Saúde (SUS), desenvolveu um projeto para ajudar pacientes com lesões e/ou traumatismos das mãos.

“O trabalho envolve partes ósseas, articulares, músculos, ligamentos e nervos, e consiste em técnicas de terapia física, orientações de proteção articular, economia de energia e adaptações de trabalho”, ressalta a terapeuta.

Com quase um mês de terapia, Sandra conseguiu se livrar das dores e do nódulo em seu pulso. “No início pensei no pior. Graças a Deus resolvemos o problema e hoje, continuo com os meus trabalhos de forma remota, porém devidamente orientada pela profissional do Metropolitano”, agradece.

Um dos principais recursos terapêuticos utilizados são as órteses, aparelhos que ajudam no posicionamento adequado de uma ou mais articulações. Os profissionais utilizam também instrumentos que ajudam na prevenção de queloides, controle da dor e de edemas.

A enfermeira da medicina do trabalho do Metropolitano, Roseane Rodrigues, afirma que dá pra prevenir danos na saúde com atitudes simples, em casa. “É importante fazer pausas a cada duas horas, observar a postura e se as ferramentas de trabalho proporcionam conforto. Se o corpo reclamar, é porque tem algum problema”, reforça.

Dicas de alongamentos para mãos e dedos

• Relaxe os ombros e com os dedos para cima, estique o braço. Com a outra mão, puxe os dedos em direção ao seu corpo. Em seguida, com o braço ainda esticado, abaixe os dedos e puxe essa mão em direção ao seu corpo. Mantenha cada posição por 20 segundos. Repita cada exercício 3 vezes em cada braço;

• Levante a mão, relaxe os dedos e gire o punho no sentido horário e depois ao contrário;

• Junte as mãos – formato de oração – na altura do peito e empurre os dedos de uma mão contra os da outra, por 20 segundos;

• Entrelace as mãos e faça ondas. Em seguida, gire os polegares para frente e para trás. Por último, estique os dedos de cada mão alternadamente.

Repita cada exercício 3 vezes.