Colaboradores do Hospital Metropolitano participaram de oficina que transforma resto de lixo em adubo

Descarte correto de materiais orgânicos faz parte do programa de gerenciamento de resíduos da unidade

Os benefícios do aproveitamento correto de restos de alimentos foram abordados durante a Oficina de Compostagem ministrada aos funcionários do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), unidade do Governo do Estado do Pará, no dia 26 de julho. A prática, que já era aplicada para a destinação adequada aos resíduos do refeitório da Unidade, deve melhorar com a adoção de adaptações. A atividade integrou a Semana do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Saúde.

A compostagem é uma maneira de transformar restos orgânicos (sobras de vegetais, alimentos crus ou cozidos, cascas, sementes, borra de café, etc.) em adubo rico em nutrientes para ser usado no cultivo de plantas. A técnica também auxilia na redução de lixo que seria destinado para os aterros sanitários, um problema crônico de metrópoles como Belém. De acordo com o engenheiro agrônomo Silvio Araújo, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma casa com cinco pessoas produz em média 2kg de lixo orgânico por dia, dos quais 70% é composto de água.

As chamadas composteiras são sistemas de recipientes que separam os resíduos líquidos e promovem a decomposição dos sólidos por meio da ação de microrganismos. “O custo da compostagem é irrisório e os procedimentos são simples, mas para isso é preciso uma mudança de atitude. Por lei, o poder público é responsável pela gestão do lixo, mas não em totalidade. Toda a sociedade é responsável porque todos geram resíduos”, explicou Silvio.

Na oficina, o engenheiro demonstrou três processos que não geram mau-cheiro e podem atender demandas de pequena e grande escala. A maior utiliza dois baldes com capacidade para 15kg, cada, onde são feitos pequenos furos para facilitar a drenagem e a saída de gás metano. Após algumas semanas o material é reduzido a uma textura parecida com terra. O líquido que se acumulará na parte de baixo, popularmente conhecido como chorume, também poderá ser aproveitado como adubo líquido, depois de se tornar inodoro, diluído em água, e borrifado diretamente nas plantas. Para ambientes em que o espaço é reduzido e a produção de material orgânico pequena, ele demonstrou a mesma técnica, utilizando apenas uma garrafa pet.

Outra variação da compostagem é a partir da desidratação do resíduo por meio do calor, que diminui o volume do material. Essa foi a proposta que o engenheiro fez ao HMUE, unidade gerenciada pela Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar, para o maior aproveitamento das sobras provenientes do refeitório que alimenta pacientes, acompanhantes e colaboradores do hospital. “A compostagem realizada aqui está no caminho certo, mas pode ter alguns ajustes, como o uso do calor das máquinas de secagem de roupas para desidratar os resíduos”, explicou. Romilson Silva é jardineiro da Unidade e ficou feliz com as informações. “Achei tudo ótimo, já sabia de algumas coisas, mas agora vou poder colocar em prática mais, como o sistema de ventilação”, analisou.

Resíduos Sólidos – Entre os dias 22 e 26 de julho, o público interno do HMUE participou da Semana do Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos em Saúde, com a realização de palestras e dinâmicas que buscaram fortalecer a prática do descarte correto.

De acordo com a coordenadora de hotelaria Agnes Reis, a Unidade tem três tipos de destinação de lixo: a hospitalar, que recolhe todo o material infectante e perfurocortante para incineração em uma empresa especializada; a reciclável, em que são aproveitados plásticos, metais e papéis por meio de parceria com a cooperativa Associação de Coleta Seletiva de Belém; e por fim, a orgânica que está sendo utilizada para a produção de adubo em compostagem. “É importante que todas as pessoas que circulam no hospital ajam com responsabilidade, desde o consumo de forma consciente, sem desperdício, como o descarte adequado”, ponderou.

Sobre o HMUE
Referência no tratamento de média e alta complexidades em traumas e queimados para a região Norte pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), localizado em Ananindeua (PA), dispõe de 198 leitos operacionais nas especialidades de traumatologia, cirurgia geral, neurocirurgia, clínica médica, pediatria, cirurgia plástica exclusivo para pacientes vítimas de queimaduras, além de leitos de UTI.

O HMUE recebe pacientes da Região Metropolitana de Belém, dos diferentes municípios do Pará e também de outros estados. Em 2018, realizou mais de meio milhão de atendimentos, entre internações, cirurgias, exames laboratoriais e por imagem, atendimentos multiprofissionais e consultas ambulatoriais.

Sobre a Pró-Saúde
A Pró-Saúde é uma entidade filantrópica que realiza a gestão de serviços de saúde e administração hospitalar há mais de 50 anos. Seu trabalho de inteligência visa a promoção da qualidade, humanização e sustentabilidade.

Com 16 mil colaboradores e mais de 1 milhão de pacientes atendidos por mês, é uma das maiores do mercado em que atua no Brasil. Atualmente realiza a gestão de unidades de saúde presentes em 23 cidades de 11 Estados brasileiros — a maioria no âmbito do SUS (Sistema Único de Saúde). Atua amparada por seus princípios organizacionais, governança corporativa, política de integridade e valores cristãos.

A criação da Pró-Saúde fez parte de um movimento que estava à frente de seu tempo: a profissionalização da ação beneficente na saúde, um passo necessário para a melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes que não podiam pagar pelo serviço. O padre Niversindo Antônio Cherubin, defensor da gestão profissional da saúde e também pioneiro na criação de cursos de Administração Hospitalar no País, foi o primeiro presidente da instituição.